Artigo
Setembro Amarelo: Cuidar da mente é cuidar da vida
Por:
Pablo Gnutzmann Pereira
Pablo Gnutzmann Pereira
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Pablo Gnutzmann Pereira | CRM-AM 7408 | RQE 2844 Psiquiatra
O Setembro Amarelo é um convite para olharmos com atenção para a saúde mental — nossa e das pessoas ao nosso redor. Falar sobre emoções, angústias e dificuldades não é sinal de fraqueza, mas sim de coragem. A ciência já mostrou que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo.
Transtornos como ansiedade e depressão são comuns, podem acontecer com qualquer pessoa e têm tratamento eficaz. A psiquiatria e a psicoterapia oferecem ferramentas seguras e comprovadas, mas ainda enfrentamos preconceitos que muitas vezes afastam as pessoas da ajuda que precisam.
Buscar acompanhamento médico ou psicológico não significa “loucura”, mas sim responsabilidade consigo mesmo. Assim como procuramos um cardiologista para cuidar do coração, também é natural procurar um psiquiatra ou psicólogo para cuidar das emoções.
Além do tratamento adequado, algumas atitudes simples no dia a dia são grandes aliadas na proteção da saúde mental:
• Praticar atividade física regularmente, que libera substâncias associadas ao
bem-estar.
• Manter uma alimentação equilibrada, que influencia diretamente no funcionamento do cérebro.
• Evitar o uso de drogas lícitas e ilícitas, já que o álcool, o cigarro e outras substâncias aumentam o risco de adoecimento mental.
• Valorizar momentos de lazer, descanso e convívio social, fortalecendo vínculos que dão sentido à vida.
Outro aspecto essencial é o acolhimento. Muitas vezes, quem sofre em silêncio precisa apenas de um ouvido atento, de alguém que valide sua dor e ofereça presença sem julgamentos. Um gesto simples de empatia pode ser um divisor de águas na vida de quem enfrenta momentos difíceis.
Também é importante reconhecer o papel da espiritualidade, que varia para cada pessoa. Ter um espaço de reflexão, fé ou conexão com algo maior ajuda a dar sentido às experiências, favorece a esperança e amplia a capacidade de enfrentamento diante das adversidades. Não se trata de religião obrigatoriamente, mas daquilo que, para cada indivíduo, traz significado e fortalece o espírito.
Cuidar da saúde mental também passa por criar ambientes mais saudáveis. No trabalho e nas escolas, falar sobre emoções, promover acolhimento e reduzir o estigma são atitudes que não só melhoram a produtividade e o aprendizado, como podem salvar vidas. É igualmente fundamental lembrar que todos têm direito ao acesso a serviços de saúde mental. Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), ambulatórios especializados e linhas de apoio, como o CVV (188), oferecem escuta e suporte fundamentais. Procurar esses recursos é sinal de autocuidado e não deve ser motivo de vergonha.
Tratar depressão e ansiedade não apenas melhora a qualidade de vida, como também é fator de proteção para várias doenças físicas, como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos. E, acima de tudo, é um lembrete de que o sofrimento pode ser superado.
O Setembro Amarelo nos lembra de algo simples e essencial: pedir ajuda é um ato de amor à vida. Ninguém precisa enfrentar a dor sozinho. Sempre existe a possibilidade de recomeço, de transformação e de encontrar caminhos para viver com mais leveza e plenitude.
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